Oferecer presentes de Natal em tempos de crise pode não ser uma tarefa fácil... Fomos saber como é que os portugueses tentam contornar esta situação!
Por:
Ana Manaia
Ana Teresa Abrantes
Andrea Henriques
Bruno Tavares
Frederico Gomes
Kátia Reis
“Querido Pai Natal, este ano eu gostava
de receber…” ora, era assim que as revistas de brinquedos dos vários
hipermercados começavam a carta para as crianças enviarem ao Pai Natal. Quando
era pequena, escrevi várias vezes para ele a pedir inúmeros brinquedos e, a
verdade é que sempre conseguia um ou outro. Sabia perfeitamente que o Pai Natal
não existia e que quem comprava o que eu queria era a minha família, mas aquela
coisa de escrever uma carta era sempre algo de engraçado. Era uma miúda com
sorte, bastava querer uma coisa e debaixo da árvore lá aparecia ela. Mas a
minha mãe sempre me disse que as coisas não eram assim com toda a gente.
Sempre fui uma criança que sabia do que
se passava pelo mundo fora. Sabia que fora do “meu mundo” existiam crianças sem
brinquedos, sem comida, sem escola e alguns até sem família. Fui habituada a
viver os meus natais com crianças órfãs que a minha tia trazia do lar onde
trabalhava. Ainda hoje isso acontece. São crianças tímidas mas espantosas.
Tiveram de aprender a fazer tudo sozinhas desde muito cedo e nunca tiveram nada
do que queriam. A família delas são os lares que as acolhem, são as outras
crianças que lá vivem, são os empregados dos lares que fazem tudo para eles
terem uma vida minimamente feliz.
Lembro-me de um menino, há uns três ou
quatro anos atrás, a quem a minha mãe perguntou o que ele gostava de receber no
Natal, e ele apenas respondeu: “queria um cão de peluche mas não tenho dinheiro
para o comprar”. Esse menino passou o Natal connosco e demos-lhe o tal “cão de
peluche”. Não me lembro de ver uns olhos brilharem tanto como os dele naquela
noite. Agarrou-se a nós a chorar e a agradecer. São coisas assim, simples, que
deixam as crianças felizes, basta carinho e fazê-los sentirem que têm alguém a
cuidar e a olhar por eles.
Nos dias de hoje, principalmente com a
crise que tem atingido não só o nosso país como o resto do mundo, há cada vez
mais crianças em lares, bebés deixados às portas das pessoas ou encontrados em
caixotes do lixo porque os pais não têm condições de os criar. E, é nesta
altura, no Natal, que eles mais precisam de alguém, de algo parecido com uma
família.
O dinheiro tornou-se num factor de
extrema importância para os portugueses. Nas notícias só se houve falar de
tragédias, da crise, de coisas tristes. O espírito natalício já não é o mesmo.
Para muitas pessoas nem há vontade de fazer uma simples árvore de natal. Não há
dinheiro, não há prendas, e se não há prendas não há Natal. Mas porque é que
têm as pessoas de pensar assim? Sempre ouvi dizer que o importante no Natal era
a família estar toda reunida e não o haver prendas ou não. E se estas crianças
pensassem assim? A diferença está ai. Elas não têm uma mãe, um pai, um avô ou
uma avó. Elas não se preocupam em receber prendas ou não. Só lhes importa que
não estejam sozinhas. E é isso com que nós, portugueses, temos de nos preocupar.
Temos de deixar de pensar que não há dinheiro para isto ou para aquilo, porque
um dia podemos ser nós a não ter ninguém num outro Natal.
As crianças órfãs ficam felizes com um
abraço, com um mimo. Por isso, neste Natal, vamos tornar tudo um pouco
diferente, deixar as preocupações de lado, deixar o problema do dinheiro de
lado e viver o Natal no seu verdadeiro significado, com as nossas famílias.
Querido Pai Natal, que este Natal seja
diferente de todos os outros!
por: Vânia Santos
*Este artigo não está de acordo com o novo Acordo Ortográfico
Chegou a época natalícia. Luzes
iluminam as ruas, ouvem-se músicas festivas nas lojas e o Pai Natal,
notavelmente, consegue aparecer em todos os centros comerciais do país ao mesmo
tempo para sentar crianças no colo. As férias já se anunciam e, em Coimbra, até
os patos têm direito a árvore de Natal. Todos os programas de televisão
estreiam episódios especiais natalícios, pregando o amor ao próximo, a união de
família e a amizade (ao contrário dos outros 364 dias do ano), enquanto
reclames vendem-nos os sorrisos de crianças com brinquedos caros. E, para
rematar, o bacalhau está a desconto.
Tenho a certeza que me estou a
esquecer de alguma coisa, mas o que será? Ah, pois! O NATAL. Então, não acabei
de definir o Natal no parágrafo acima? Não. O Natal é apenas um dia ao calhas
no meio do Inverno em que toda a gente decidiu ser bonzinho e dar prendas
extravagantes uns aos outros? Não parece muito provável. Olhemos para o nome:
Natal. Remete-nos para um nascimento, portanto é a festa de aniversário de
alguém. Mas não é qualquer pessoa que faz com que o seu aniversário seja
feriado nacional. Este homem causou um alvoroço há 2000
anos atrás, juntou muitos seguidores, depois desapontou-os ao pregar a paz em
vez de expulsar os romanos de Israel. Defendeu ideias radicalmente diferentes
dos valores da sua época, como os direitos das crianças e da mulher, e foi o
fundador da moral ocidental moderna. Ele foi brutalmente morto mas os seus
seguidores não fugiram, como noutros casos. Muito pelo contrário, defenderam
que ele ressuscitou, mesmo sob ameaça de violência e morte. A religião que
fundou tornou-se uma das maiores do mundo e influenciou o mapa político da
Europa e arredores. Ele é o protagonista do maior bestseller de sempre (a Bíblia, não O Código Da Vinci) e dividiu a
História em antes e depois de si. Isto só para começar… E não, não estou a
falar do Pai Natal.
Muito se tem falado e escrito
sobre Jesus e as polémicas nunca mais acabam. No Natal, porém, tende-se a pô-lo
de lado. Estamos tão absorvidos com a “magia do Natal” que nos esquecemos da
razão porque existe! Quer gostem, quer não de Jesus, quer acreditem, quer não
que ressuscitou, a verdade é que esta festa é dele e é de muito mau gosto ir a
uma festa de anos e ignorar o aniversariante. Portanto, este Natal que tal
procurar conhecer um pouco mais sobre este Jesus? Há muito de interessante por
descobrir…
por: Amy Gois
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Sábado 8 de dezembro de 2012 - fomos até à baixa de Coimbra abraçar, sem medos nem preconceitos.
Um agradecimento especial a todos os que fizeram desta tarde, uma tarde cheia de sorrisos, emoções e, claro, muitos abraços.
O Posts de Pescada saiu à rua para tentar descobrir o Natal dos portugueses este ano. Enquanto se dão os últimos retoques às decorações, se traçam os planos e se coloca tudo a postos, tentámos perceber o impacto da crise na forma como as pessoas irão viver esta época.
Desde que a crise económica e financeira se instalou no nosso país, o negócio não tem corrido tão bem aos comerciantes e as festas não têm sido celebradas como noutros tempos. Para se adaptarem alguns dos portugueses moderaram os seus gestos e as tradições natalícias, mas exceção não é regra. Afinal com a crise este Natal será ou não diferente?
por: Sónia Miguel e Joana Pestana
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
O Natal tornou-se numa época de consumismo desenfreado. Quantas são as crianças que quando lhes falam nesta altura do ano só pensam em prendas e no Pai Natal (porque é ele que as traz)? Afinal, o significado e os valores que esta tradição representava outrora já não permanecem. A família unida, as histórias engraçadas, as canções cantadas por toda a família, toda essa magia vai desaparecendo com a imagem da receção obrigatória de prendas por todos os familiares. Como se sentirão aquelas crianças que não podem receber brinquedos ouvir os seus amigos a contarem o que tiveram no dia 25 de dezembro?
Com esta ideia de consumismo e Natal ser igual a prendas enraizado nas crianças, é caso para dizer que esta quadra natalícia é só para a classe mais rica que comparada com as outras é uma minoria.
Já se torna doentio e obsessivo falar da crise, mas neste momento de aproximação desta festividade não seria correto ponderar nos gastos para as iluminações e para o réveillon? Recentemente foi publicado por vários órgãos de comunicação social que Lisboa e Porto iam gastar cerca de 250 mil euros e 120 mil euros em iluminações de Natal, respetivamente. Já para não falar do caso da Madeira! Estes três pontos geográficos vão despender mais dinheiro do que o ano passado! Será uma atitude ponderada, refletida e congruente com a conjuntura em que se vive? Cada um terá a sua interpretação; há quem concorde e há quem discorde.
Não seria mais vantajoso distribuir parte desse dinheiro pelas famílias mais carenciadas (e que são inúmeras) para que possam disfrutar parte da magia do Natal com a sua família? Para que possam dar uma prenda aos seus filhos só para verem um sorriso na cara e uns olhos brilhantes. Só para as crianças não serem “diferentes” das outras. Todos nascemos diferentes, mas no fundo somos todos iguais. Que igualdade é esta quando uns têm tudo e outros não? Já não falo em adultos, mas nas crianças que são a alegria de tudo. A crise não pode ser a desculpa para a maior parte dos rebentos não poderem saborear a magia do pai Natal e de todo o mistério que lhe está inerente. Neste momento, acredito que essa prenda poderia ser somente uma refeição como um pequeno-almoço! Inacreditavelmente, foi divulgado que há mais de dez mil crianças com fome, que vão para a escola sem terem tomado o pequeno-almoço, a refeição mais importante do dia. As pessoas ainda não se consciencializaram deste problema que se pode adjetivar como sendo grave no século em que estamos. Vivemos já numa sociedade “humanizada” em que aquilo que é fundamental não deveria faltar. Citando palavras do ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, é uma questão “inaceitável e inadmissível”.
Não é a maior quantidade de luzes nas ruas da cidade que vai aumentar o número de compras, isto é, dinamizar o comércio tradicional. O egoísmo, a soberania, a autoridade são personalidades “quase cegas” e daquilo que vêm só olham para cima.
Há tantas críticas, há tantas palavras contraditórias. Quando é que chegará o dia em que as frases proferidas pelos deputados sejam congruentes com as ações que fazem? Mais uma vez os sonhos das crianças são mutilados friamente.
por: Patrícia Gomes
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Grupo de jovens de reúne-se para celebrar a eucaristia de Natal
com o idosos do Lar de Idosos de Penela.
Por Maria Inês Antunes, R2
O grupo de Jovens católico Juvearche de Penela tomou a
iniciativa de participar na eucaristia de Natal que anualmente realiza no próprio
lar. Com o objectivo que acompanhar os idosos que nesta época propícia à
partilha de paz, amor e fraternidade, o grupo de jovens cujo lema é “ajudar a
fazer o bem” não quis ficar indiferente.
Já é habitual para este grupo de jovens oferecer assistência
e companhia aos idosos que permanecem no lar de idosos porém, este é o primeiro
ano que se colocam ao dispor no dia de consoada.
A alegria dos idosos é visível, não só pela companhia mas
pela participação dos jovens na sua eucaristia de Natal. Também é notória a satisfação dos
jovens enquanto interagem com os mais velhos instalados no lar da terceira idade.
Numa altura em que o que mais se vê e se ouve são prendas,
promoções e Natal, a livraria Bertrand tem para oferecer aos seus clientes os
melhores descontos para as melhores prendas.
Por Maria Inês Antunes , r2
O Natal chega novamente ao comércio
O Natal está à porta e começam os seus preparativos. Para
além as casas que começam a ser enfeitadas com as tradicionais luzes e
pinheiros, também as lojas começam os seus preparativos. Decoração propícia à
época, o melhor enquadramento visual que dê ao cliente vontade de entrar no
mundo das compras e as tradicionais promoções para aliciar o cliente a comprar
são as estratégias definidas para levar as pessoas a comprar os seus presentes
de Natal na sua loja.
A livraria Bertrand não é excepção a todo este processo de
conquista de cliente na época natalícia. Ao entrar numa das suas lojas, os
clientes encontram os enfeites natalícios, catálogo de promoções e um top dos
livros mais vendidos semanalmente.
A oferta da livraria Bertrand
Questionada sobre uma possivel quebra nas vendas devido à
situação económica de Portugal, a gerente da loja situada no Dolce Vita
Coimbra, Dora Cardoso, afirma que foi notória uma pequena quebra, mas que em
época de compra de presentes de Natal, essa quebra não é visivel. Os clientes
aproveitam as promoções do catálogo que informa desde logo ao cliente que há
descontos na loja através do seu título “Dê uma volta pelos nossos descontos”,
disponível à entrada da loja. As
promoções variam desde os 10 % e 20% de desconto em livros, vales de compras ou
vales de campanha na compra de colecções de livros.
A estante que se
encontra logo à entrada da livraria dá a conhecer ao potencial cliente o top
semanalmente actualizado dos livros mais vendidos. As categorias que se
encontram são várias, destacam-se os primeiros livros mais vendidos: “Herança”
de Christopher Paolini, “O último segredo” de José Rodrigues dos Santos e “O
livro de Maya” de Isabel Allende. Pelo meio da tabela encontramos diferentes
géneros literários como “Do convento para a Bimby”. O último lugar da semana
partence ao livro “Alta definição – O que dizem os teus olhos” de Daniel
Oliveira.
Outros artigos possíveis de adquirir na livraria Bertrand
As promoções não chegam apenas aos livros, mas também aos
DVDs e CDs disponíveis em todas as lojas do grupo Bertrand. A oferta de um
artigo do mesmo género ou os habituais descontos levam os clientes a
aproveitarem as promoções.
Tal como afirmou a gerente da loja, em época tão propícia a
compras como a época de Natal, a quebra das vendas não é notada e são vendidos
todos os géneros literários sem que nenhum seja deixado para trás. Um livro, os
DVD ou um CD poderá ser o presente ideal para oferecer e se a loja oferecer ao
seu cliente um desconto ou promoção, o cliente ficará ainda mais satisfeito.
Não
é Natal, mas parece. Várias lojas e centros comerciais começam a apostar nos
enfeites natalícios para chamar a atenção. Ainda vamos em Novembro, a um mês de
Dezembro, é certo, mas em Novembro. Tanta luz a piscar, tantas árvores já
montadas que parece que o Natal é já amanhã! Porque é que este marketing
consumista leva-nos tão cedo a pensar na quadra natalícia onde há sim muita paz
e amor, mas também muito materialismo e desperdício?
Há
quem defenda que Natal sem presentes, não é Natal. Outros pelo contrário dizem
que passar o Natal em família basta para fazer deste dia um dia feliz. Mas,
quem estamos a enganar? Por mais “paz de espírito” que tenhamos, há sempre uma
alegria especial em receber um presente. E há sempre um desejo enorme em dar também.
Presentes para todos: pais, namorado/a, avôs, primos, tios, sem contar com os
amigos e colegas de trabalho. E a expectativa de os receber? Principalmente as
crianças, que não têm noção do quanto custa o tão desejado brinquedo que vê na
televisão todos os dias.
E
o Pai Natal? Esta personagem que devia propagar a mensagem tradicional de amor,
alegria e paz, mudou de doutrina e desde meados de 1930 com os comerciais da Coca-Cola,
que a mensagem mudou e o consumismo é o princípio defendido por ele, mas de forma
muito, muito discreta.
Já para não falar da pessoa que supostamente dá a cara a este dia, pois sem o
seu nascimento, este feriado, tão querido por muitos, não existiria.
“Promoção”,
“saldos”, “peças únicas”, “quase esgotado”, são palavras que mais se ouvem nestes
últimos meses do ano. E assim começa, a luta pelo presente perfeito, a
necessidade de tornar algo substituível e não eterno, por algo insubstituível e
único. É com isto que as ruas enchem-se, as lojas entopem-se.
Mas,
pode ser este ano seja diferente (ou parecido com os anteriores e melhor que os
seguintes) e o português não se deixe levar pela pechincha tão rapidamente como antes. Tendo em conta a conjuntura
actual, os cortes de subsídios para fazer frente à tão famosa crise, entre
muitas outras medidas e subidas de preços. Há que pensar numa forma menos
dispendiosa de passar por este mês que se aproxima e que se encontra tão junto
de outra data celebrativa que também nos leva a alguns gastos desnecessários
com repercussões nesta nossa economia viciada e na natureza limitada.
Por isso, se vai oferecer algo,
procure dar coisas úteis e não algo que desaparece passado pouco tempo. Há que
procurar por algo ecológico também, pois o consumo de forma inconsciente ditou
a nossa vida desde há muitas décadas e só agora, há meros anos para cá, vimos a
repercussão dos nossos actos na natureza. Dê também preferência nos produtos
made in Portugal. Pois se a economia está mal e se querem, mesmo assim, gastar
tanto nesta fase do ano, então optem por produtos nacionais e não os que
utilizam mão de obra barata, e muitas vezes infantil que se escondem por detrás
do preço super barato. E pós o natal, recicle os papéis de presente, as caixas
de brinquedos, os plásticos, tudo!
Este
texto não foi para culpar a religião. Nem o Pai Natal que, caso não saibam, surgiu
de uma figura bastante caridosa do século III pela mão do Santo Nicolau de
Mira.
Não quero culpar ninguém a não ser eu própria. Tu também e todos os outros. Nós
que fazemos desta época tudo, menos o que realmente deveria significar. E o
consumismo surge disto e aproveita-se disso e faz com que cada montra, cada
item de decoração, não seja colocado ao acaso. Tudo para nos chamar a atenção e
fazermos entrar nestes paraísos do consumo sem razão.
Mas
tu és livre, opta pelo correcto, gasta apenas o necessário, ou mesmo nada, mas sê racional e não te deixes levar pelo marketing
que na maioria das vezes só engana e nos leva a este stress em encontrar o
presente perfeito.
Vanessa Sofia.R2
(Video promocional da autoria da empresa Tekoha. Prova de que o marketing por vezes passa a mensagem correcta)